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Supere o desânimo antes que ele supere você

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O poder da aceitação
(você realmente quer o que deseja?)

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Nesta série eu compartilho com colegas de profissão algumas experiências sobre atendimento e avaliação psicopedagógica.

 

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Janelas da vida

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Conto a história da bela jovem que morava em uma casa simples entre o vale e a colina. Sempre que podia, essa jovem se dirigia para os fundos da casa e ficava debruçada na janela olhando as tralhas que acumulavam no quintal. Sua visão era limitada e sombria, pois o fundo da casa dava para uma parede de pedras e ali o sol mal conseguia iluminar. Vez ou outra os olhos da jovem acompanhavam atentamente os movimentos da aranha e das cobras que habitavam as pedras.

 

Com o passar dos anos os ânimos e a vitalidade dessa jovem iam desfalecendo pouco a pouco e seu semblante era entristecido, até o dia em que um senhor peregrino andava errante por aquelas bandas e resolveu pedir um pouco de água. Enquanto bebia e descansava o homem resolveu indagá-la, com todo respeito, o motivo de sua aparência triste e sem vida.

 

Ela dizia: “Não é alegre o meu coração. Passo os meus dias olhando as tralhas que se acumularam em meu quintal ao longo dos anos e agora minha companhia são as pedras, as aranhas e as peçonhentas cobras da montanha. Venha meu senhor e veja de minha janela os motivos de minha angústia e de minha tristeza. Tenho ou não tenho razão de estar assim?”.

 

Concordando, o homem perguntou-lhe se naquela casa havia mais janelas e a moça respondeu afirmativamente e foi logo mostrando cada uma delas. Ao chegar à janela que dava para o vale, o homem avistou uma paisagem deslumbrante, bem característica de um vale cinematográfico, com rio, cascata, árvores floridas, águias cantando em revoada no céu e um lindo por do sol no límpido e extenso horizonte. O infinito era um convite à imaginação!

 

A própria jovem ficou fascinada com tamanha beleza e enquanto seu semblante mudava radical e instantaneamente o fôlego de vida ia se restabelecendo em sua expressão. Ela mesma não parava de se questionar porque havia adquirido o hábito de permanecer por tanto tempo debruçada na tenebrosa janela dos fundos e agradeceu o velho por sua acidental, mas oportuna presença.

 

O homem então sorrindo entendeu o motivo e a razão de seu incidente e agradeceu a jovem que sem entender perguntou como podia ele se alegrar com a própria falta de sorte, já que estava ali por um erro de direção. O velho sábio respondeu: Às vezes, acontecem coisas tão maravilhosas quando tudo dá errado que não teriam acontecido se tudo tivesse dado certo.

 

Moral da história: A nossa vida é como aquela casa da colina: Existe a janela que dá para um passado sombrio, com algumas pessoas que nos causaram dores; com amargas lembranças das conquistas quase realizadas; das perdas vivenciadas, entre outras mazelas da vida. Essas são as nossas tralhas mentais, que naturalmente se acumulam à medida que a vida passa!

 

Mas em nossa vida também existe a janela da frente, que dá para um horizonte belíssimo, extenso, cheio de oportunidades, de grandes possibilidades, de novas realizações e que renovam nossas esperanças dia a dia, revigorando os ânimos e tornando nossas expressões cintilantes. Cabe a nós escolher em qual janela queremos permanecer debruçado.

 

Eu já fiz a minha escolha e quero viver fascinado curtindo o meu presente e idealista em relação ao meu futuro. Do passado só quero a experiência que me fortaleceu e me fez ser quem eu sou hoje. E você? Em qual janela escolherá ficar? A que te adoece ou a que te revigoram os ânimos? Então, sempre que uma lembrança ou pensamento ruim lhe vier à cabeça experimente mudar de janela!

 

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Imigrantes do amor
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Algumas pessoas largam sua pátria, seu solo, sua terra, sua casa, seu trabalho, sua cultura, sua família em busca de melhores oportunidades de emprego, de renda e de vida em uma terra que às vezes só conheceu de ouvir falar. Mas não são dessas bravas e muitas até bem sucedidas pessoas que quero falar agora. Quero falar dos imigrantes do amor, pessoas que se desencantaram com seus atuais parceiros e incucam aventurarem-se na busca de alguém imaginativamente especial, sem igual, perfeito.

 

Essas pessoas largam seus amigos, seus costumes, suas manias, suas rotinas, seus sonhos e até seus atuais parceiros para irem em busca de melhores oportunidades de afeto, de carinho e de relacionamento a dois; largam tudo por amores que às vezes só ouviram falar nos contos de fadas, nas novelas ou nos romances de Hollywood. Sim! É dessas pessoas que quero falar.

 

Esse tipo de pessoa se coloca a mercê do próprio coração nesse barco ilusório do amor. Imagina que tudo será diferente com outra pessoa e que não haverá mais desprezo, repulsa ou brigas e desentendimentos. Larga tudo que tem em busca daquilo que jamais encontrará: a própria felicidade na presença do outro. Assim, transfere para o outro o motivo de sua felicidade e parte iludido, obstinado como quem tem um mapa do tesouro nas mãos.

 

O imigrante do amor tem na mente a certeza de que sua felicidade está na pessoa que ainda encontrará e acaba por deixar a quem tem para planejar ser feliz no futuro com outro alguém. Em breve só lhe restará lamentar o passado e lembrar saudoso daquele(a) que deixou. Com menos esforço conquistaria extraordinariamente quem já está a seu lado.

 

O imigrante do amor parece escutar a voz de uma amada perfeita lhe chamando o tempo todo e isso não o deixa dormir nem descansar. Parece que ele vê realmente sua amada às vezes sedutora, às vezes vitimada e em ambos os casos rompe motivado em sua jornada de busca alucinada como quem parte para o salvamento ou o resgate de alguém que ansiosamente o aguarda. É a certeza inconsciente de que este alguém está a lhe esperar que faz o imigrante do amor persistir na sua aventura. É a esperança de encontrar nesse alguém ideal a felicidade que tanto almeja para si. É a expectativa de ver nesse alguém o atual parceiro sem defeitos.

 

Mal sabe o imigrante do amor que poderá estar deixando quem realmente o ama para se entregar a quem poderá lhe fazer sofrer. Que certeza infeliz esta de pensar que a sua felicidade está nas mãos daquela(e) que pode ser o seu/sua algoz. Que armadilha da imaginação! Que emboscada do coração! Pobre de quem deixa o seu bem-querer para dedicar-se àquela(e) que mal lhe conhece e que talvez nunca lhe pertencerá, quiçá querirá tal envolvimento. Como pode alguém gostar de quem não é seu e temer perder aquilo que ainda não lhe pertence? O imigrante do amor faz isto o tempo todo!

 

Largar uma pátria amada ou um amor declarado para aventurar-se ser (mal) tratado como estranho estrangeiro numa terra forasteira ou num coração desconhecido é coisa de imigrante louco, pois se não encontrar a prosperidade e a felicidade dentro de si, dificilmente encontrará em qualquer pátria ou em qualquer coração que lhe ofereçam abrigo, por melhor que estes possam ser. Quando muito o imigrante do amor será tratado como morto, pois a pessoa supostamente ideal talvez prefira ficar apenas com a lembrança de alguns bons momentos ao invés de querer ficar com aquele que é lembrado, mesmo que vivo e disponível.

 

Portanto, apaixone-se por quem é apaixonado por ti e dedique-se a quem é dedicado a ti. Não acredite mais em pessoas especiais, mas em momentos especiais com pessoas habituais. Então, crie tais momentos com quem já está a seu lado, mesmo que distante!