O sétimo pilar da autoestima: O amor!Prof. Chafic Jbeili – www.chafic.com.brTalvez
eu não seja a melhor pessoa para falar de amor. Este é um tema melhor
abordado pelos poetas, pelos artistas, pelas mães, pelas mulheres de
modo geral. Eles sim podem falar com mais propriedade e com maior
eloquência do que eu. Mesmo assim, a despeito de minhas limitações,
ousarei falar sobre o amor em função de sua implicação à estrutura da
autoestima.
Há vários sentidos e aplicações para a palavra amor.
Em todos os empregos e usos do termo o significado comum é o de querer
bem e agir em favor de algo ou alguém. Tudo que se faz com plenitude de
vontade e intensidade de alma, se diz que é feito com amor. Portanto, o
mal feito é por si só isento de amor porque não é máximo, não é
esforçado, não é bem quisto, antes é feito com má vontade, de qualquer
jeito, obrigado e, por isto, livre do significante amor.
A
referência filosófica do amor alude aos relatos de Platão quando compara
este sentimento com a caça; como algo que se busca a todo esforço até
que se obtenha aquilo que acredita não possuir. Daí chamar de amor
platônico toda forma de amor que extrapola os limites do bom senso e
aproxima-se do patológico.
Em Freud tem-se entendido o amor como a
pulsão mais primária, o impulso de vida; também conhecido nos escritos
psicanalíticos como Eros. Este alterna com Thanatos, o impulso de morte.
Enquanto o primeiro constrói e edifica, o segundo destrói e corrompe. O
pai da psicanálise sugeriu várias vezes e em todas as suas obras a
força dessas pulsões sobre as atitudes conscientes e inconscientes de
nosso viver.
Enfim, são muitas as referências sobre amor e não há
espaço e tempo neste singelo texto para abordar todas elas. As que aqui
se apresentam são suficientes para referenciar o que pretendo vincular
com o tema proposto, ou seja, o sétimo pilar da autoestima.
Desta
forma, tanto no âmbito religioso-espiritual, filosófico ou
psicanalítico o emprego da palavra amor e suas variações semânticas
sugerem tratar de uma força sem limites, intangível, venerável e
poderosa ao ponto de fortalecer, revigorar e gerar vida. Em outras
palavras, o amor é como as turbinas de um avião ou o motor de um carro.
Sem eles nem um nem outro poderiam sair do estado estático.
é(Eh)
neste sentido que o amor se aplica a autoestima como sétimo pilar, pois
sem esta força propulsora nada nem ninguém poderão mover-se e muito
menos transformar-se. Nenhum dos outros seis pilares poderiam se
efetivar sem o sétimo. Só o impulso de vida – amor – é que pode fazer
uma pessoa mudar de idéia, se arrumar, tomar atitudes mais condizentes
com o autorespeito, a autoafirmação, a integridade pessoal, a
prosperidade e a melhora pessoal em todos os sentidos aplicáveis.
Não
se pode ver o amor, mas pode-se percebê-lo atuante quando as pessoas
são compelidas a mudar e a fazer mudar qualquer coisa ou pessoa para um
estado melhor, mais bem aprimorado.
Autoestima é a tradução
literal do amor próprio. Cada qual tem sua autoestima na mesma proporção
do amor que sente por si próprio. Assim fica fácil entender porque as
pessoas se prejudicam e se matam entre si, pois cada qual ama o próximo
como a si mesmo.
Aquilo que se faz ao outro é, em análise, aquilo
que se deseja fazer a si mesmo, mas de uma forma velada. E o que se
quer fazer veladamente a si mesmo é o límpido reflexo da consideração e
amor que cada um nutre e mantém por si mesmo. Ninguém que desonra a si
mesmo poderá ter o outro em honra.
Em outra perspectiva desta
análise, pode-se entender as pessoas que nos agridem e nos machucam como
praticantes de ação proporcional ao ódio e repúdio que elas sentem por
elas mesmas. Só quem conhece e experimentou o amor pode amar. Aquele que
não sabe e sequer provou desta força chamada amor, jamais poderá
desejar ou fazer o bem a si mesmo, quem dirá ao próximo.
Viver
sem se sentir amado é uma porta para a angústia e a depressão. Viver sem
se sentir amado torna a vida muito mais dolorosa do que normalmente
seria. Tudo fica mais difícil. Se relacionar fica mais difícil. Estudar,
trabalhar, produzir fica quase impossível e então reina o impulso de
morte, tornando as pessoas mais amargas, destrutivas, maldizentes e
infelizes. O que esperar dessas pessoas?
Não há perspectiva de
vida, de sucesso ou mesmo de futuro quando a pessoa não se sente amada,
querida, desejada. Portanto, não basta dizer a uma pessoa que a ama ou
usar sua linguagem de amor para acreditar que o outro está sendo amado. é
necessário que o outro se sinta amado para que possa experimentar esta
força que transforma e revitaliza qualquer pessoa que é agraciado por
ela.
Nada pode ser mais sublime e produtivo para uma pessoa do
que sentir-se amada pelo pai, pela mãe, por Deus, por qualquer alguém
que lhe importa ou pela sociedade de uma forma geral. Os piores
delinquentes, capazes das piores ações destrutivas e práticas
antisociais são pessoas incapazes de sentir e experimentar o amor.
Esta
incapacidade pode ser congênita, relacionada à micro lesões cerebrais
que impedem o processamento de tal sentimento ou mesmo pela experiência
do abandono, do descaso e do desprezo elaborados de forma peculiar em
suas mentes a partir das ações e palavras de seus entes mais próximos, a
partir do nascimento até algum momento de sua vida em que ocorre um
insight negativo e passa a crer na idéia de que não é amado o
suficiente, antes se sente indesejado e rejeitado. Eis a semente do mal,
da criminalidade.
Ninguém rouba, mata ou destrói por amor, mas por ódio e revolta.
Como
é saudável acreditar que Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu
único Filho para que todo aquele que nEle crer tenha a vida eterna. Como
é poderosa quando dita com sinceridade a frase “eu te amo”. Experimente
dizer mais vezes eu te amo com as pessoas que você quer bem, mas comece
dizendo a si mesmo(a) toda vez que se olhar no espelho pela primeira
vez no dia. Contudo, nunca repita mais do que três vezes ao dia para não
estimular eventual narcisismo!
As ações sociais de contenção da
delinquência e repressão ao crime não deveriam se restringir a medidas
socioeducativas e penais com base no Código Civil e na Constituição
Federal apenas. Nada que se faça com base exclusivamente nas Leis e nas
regras sociais poderá transformar o ódio de alguém em amor. Por isto as
cadeias estarão sempre lotadas e os índices de criminalidade continuarão
aumentando dia após dia. Ninguém pode se sentir amado com a aplicação
da Lei.
Também não é o caso de distribuir bíblias aleatoriamente.
Pois, ainda que eu falasse as línguas dos anjos se não houver amor,
nada adiantará. é preciso se sentir amado e experimentar este
sentimento.
E se alguém não se sente amado e, portanto, não
experimenta o amor como poderá ter bem consolidado o seu amor próprio?
Assim, terá invariavelmente comprometido todos os sete pilares da
autoestima.
[nome], a melhor referência teórica de amor que eu
conheço está no primeiro livro que o apóstolo Paulo escreveu aos
Coríntios, registrado no Capítulo 13, versos 1 a 8 da Bíblia, como se
segue:
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e
não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E
ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e
toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que
transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que
distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que
entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso
me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o
amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com
indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita
mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre,
tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha[...]”.
Um grande e fraterno abraço,
Prof. Chafic
17 de Junho de 2011
Autor: Prof. Chafic Jbeili - www.unicead.com.br
1 Comentário:
Regina disse:
Prezado professor, acredito que pessoas especiais possuem alma de poeta, artista, mãe, mulher, etc... Assim é com vc! Lindo texto, parabéns.
Grande abraço,
Regina.
17 de Julho de 2011, às 22:53
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